Pastorais: Daphnis e Chloé


"Daphnis e Chloé" é um texto literário, provavelmente dos séculos II ou III d.C. É atribuído a Longus, embora não se tenha uma referência muito acurada a respeito disto.




Daphnis e Chloé eram duas crianças, pastores, que viviam na guarda de seus rebanhos de cabras e ovelhas; eles viviam num lindo bosque dedicado às ninfas e ao deus Pan, próximo à cidade de Mitiléne, na Ilha de Lesbos.

Haviam sido abandonados por seus pais, quando ainda bebês, neste bosque; e aí foram acolhidos e adotados por dois casais de pastores. Os objetos de reconhecimento, encontrados ao lado de cada um dos bebês, quando eles foram achados pelos pastores, sugeriam que eles deviam ser filhos de famílias abastadas. Por isso, a intenção dos pais adotivos era a de criá-los como tal, com cuidados muito especiais, e não como simples pastores.

Entretanto, o deus Eros apareceu, em sonhos, a estes pastores e lhes ordenou a criar os meninos no bosque, nos afazeres da vida pastoril.

Assim, então cresceram, Daphnis – o menino; e Chloé – a menina: no cuidado diário dos animais, em meio aos encantos do bosque, ela tecendo oferendas às ninfas e ele, homenageando o deus Pan com os sons magníficos de sua flauta, a siringe.

Mas a intenção de Eros era transformá-los no mais belo e famoso casal de amantes do mundo!

E eis que, um dia, Daphnis caiu numa armadilha para lobos e ficou muito sujo de lama. Chloé, então, o ajudou a sair do fosso e a lavar-se. E foi nisso que, ao ver Daphnis banhar-se, ela se deslumbrou com a beleza de seu corpo nu, a cor de sua pele, a sua tez; e o sentiu com suas próprias mãos, e ficou fascinada!

E a partir de então, ei-la toda tomada pelo desejo ardente de voltar a vê-lo. Tal desejo a dominava inteiramente, a capturava por completo; ela já não conseguia dormir, alimentava-se mal, não mais cuidava de seus rebanhos; sua vida era, toda, aquele desejo...

Então o boiadeiro Dorcon apaixonou-se por ela. E lançou, a Daphnis, seu desafio; e, ao vencedor, o beijo de Chloé!

Daphnis enfrentou-o e venceu, e ganhou o beijo dela!

E aí, tudo aquilo que ela sentira ao vê-lo banhar-se, é ele que, a partir de agora, vai sentir também, ao provar o calor de seu beijo.

E ei-lo dominado pelo mesmo desejo; já não tinha paz, não mais conseguia dormir, nem comer, presa do mesmo mal. "Será que o beijo dela é venenoso?", perguntava-se, muitas vezes; ao que ele próprio retrucava: "se assim o fosse, ela mesma já teria morrido..."

Assim os dias se desenrolavam, o tempo passava e aquele desejo ardente os envolvia por completo e os embaraçava cada vez mais.

Então...

Lá distante, Eros apareceu ao bom velho Philétas. Ele era o mais velho da redondeza, homem justo e o mais hábil tocador de siringe. Eros lhe apareceu como um menino travesso, a destruir seu belo jardim; foi levar-lhe a missão de ir ter com Daphnis e Chloé, para lhes falar das coisas do Amor.

Foi, então, Philétas ao encontro dos meninos, no Bosque das Ninfas. E cumpriu sua missão, dizendo a Daphnis que toda aquela inquietação que os dominava, a tormenta que os envolvia, a ele e a Chloé, aquela doença era o Amor. E mais, foi-lhes levar também o remédio: que se abraçassem, se beijassem como já faziam; mas também que se deitassem nus, um lado do outro! Eis aí a receita...

Texto de Lúcia Azevedo

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