Bolo de Caneca


Passeando no Flickr vi este post e fiquei curiosa sobre o tal Bolo de Caneca. Afinal, pelos comentários, tive a impressão de que eu era a única pessoa no mundo que nunca havia ouvido falar no acepipe.

Pesquisei na internet e achei a receita.
Parece ótimo e, ainda por cima, é facílimo de fazer.


Ingredientes:

1 ovo pequeno
4 colheres (sopa) de leite
3 colheres (sopa) de óleo
2 colheres (sopa) rasas de chocolate em pó
4 colheres (sopa) rasas de açúcar
4 colheres (sopa) rasas de farinha de trigo
1 colher (café) de fermento em pó


Modo de Preparo:


Coloque o ovo na caneca e bata bem com garfo.
Acrescente o óleo, o açúcar, o leite, o chocolate e bata mais.
Acrescente a farinha e o fermento e mexa delicadamente até incorporar.


Levar ao microondas em potência máxima durante três minutos.

ATENÇÃO:
1- A caneca de suportar 300ml.

2- Se quiser tirá-lo da caneca, unte uma outra caneca com manteiga e passe a massa pra caneca untada e leve ao microondas.



A Outra Face das Rosas - Curiosidade Jurídico-Musical


Juca Chaves teve a música "A Outra Face das Rosas" (entre tantas outras) censurada (a pretexto de ofensa às mulheres) naqueles tempos da tal ditadura militar.

Jurandir Chaves impetrou um Mandado de Segurança contra o Chefe do Serviço de Censura e Diversões Públicas do Departamento de Censura Federal, que proibira a gravação e divulgação da referida música.
O já falecido Ministro Jarbas dos Santos Nobre, do então TRF, quando ainda era Juiz Federal, foi quem exarou a sentença do mencionado processo.

Na época, a douta Subprocuradoria Geral da República manifestou-se pela confirmação da sentença de primeiro grau e assim ocorreu no julgamento do recursos (Agravo de Petição em Mandado de Segurança nº 62.719-SP, relatado pelo eminente MINISTRO JORGE LAFFAYETTE GUIMARÃES).

Eis os fundamentos da decisão monocrática em 22 de setembro de 1967:

"Li e reli os versos impugnados. Olhei-os sob a mais variados aspectos. Busquei possíveis malícias e eventuais ofensas. E, confesso, nada neles encontrei que pudesse agredir coletividades ou religiões (letra "f", art. 41, do Decreto nº 20.493/46), fundamento da proibição.

"Que se vendam todas elas", realmente se lê no oitavo verso, imagem poética que tanto pode se referir às mulheres, (que "como as rosas são vaidosas"), como às flores, (que quanto mais raras "mais são caras"), como a ambas. Mas, admitindo que tal dúvida inexistisse, não vejo como ao oitavo verso possa se emprestar o caráter de generalidade ofensivo à dignidade da mulher.

E bem analisada a composição no seu todo, de logo se verifica que o próprio Impetrante não generaliza, visto como à sua "namorada" que é doirada como o dia", ele não oferta as "rosas vaidosas" "que são compradas as coitadas nas boites a bom preço". Prefere dar a ela, o que tem só para dar: canção e poesia. Dá "também o amor perfeito, que é perfeito, que é perfeito como o amor, pois o amor é todo feito com a cor de seu olhar". O "todas as mulheres" mereceu do autor uma exclusão. Aquela que se lhe afigurou como a perfeição do amor.

A Impetrada se preocupou com o oitavo verso. Eu gostei da última oitava. Os versos são bonitos, líricos, embora satíricos. Não são ofensivos à dignidade das mulheres, e terão que ser interpretados, como o faço agora, com a tolerância que merece.

A irreverência que pode ser encontra nos versos, não traz em si o sinal de ofensa. A moralidade pública não foi atacada. Vejo neles uma produção de boa qualidade e uma autêntica manifestação de arte".



Os versos são de seguinte teor:

"Dos amores e das flores
Meu amigo nada esperes.
Porque as rosas são vaidosas
Como todas as mulheres.
Mais são raras, mais são caras,
Mais os homens gostam delas.
Só os poetas não entendem
Que se vende todas elas.
São artistas vigaristas
Estas rosas que conheço
São compradas as coitadas
Nas boites a bom preço
Preferidas dos amantes
Que não têm imaginação
Que dão rosas e brilhantes
Pra não dar o coração.
Mas pra minha namorada
Que é doirada como o dia
Dou canção e dou poesia
Que é o que eu tenho só pra dar
Dou também o amor perfeito
Que é perfeito como o amor
Pois de amor é todo feito
Com a cor de seu olhar. "


FONTE: SESSÃO EXTRAORDINÁRIA, EM 26 DE OUTUBRO DE 1989
(HOMENAGEM PÓSTUMA AO MINISTRO JARBAS NOBRE)