Deusa Durga

Durga Durga Maha Maya
Namah Durga Ya Namoh Namah




Há muitas versões sobre este mito. Uma delas conta que a Deusa Durga-Kali foi criada para combater um demônio, Mahishasura, que venceu uma guerra de 100 anos com os devas. O monstro vencedor assumiu todos os poderes do rei vencido, o que o tornou muito poderoso. Desolados, os devas foram pedir auxílio ao Deus Supremo Vishnu, que evoca Shiva e Brahmá para concentrarem suas energias (shaktis), assim formando uma luz brilhante, que junto com as energias dos devas, passa a brilhar mais do que 1000 sóis juntos. É criada a Deusa Durga, que assume posteriormente uma forma pura, bela e radiante de mulher. Todos presenteiam Durga com seus atributos e armas, a fim de que ela possa derrotar o demônio Mahishasura, que é a personificação do ego, vaidade, inveja, orgulho, vício e ignorância, que mora em cada um de nós.

A presença de Durga irradia a força interior, as virtudes e as qualidades de todos os deuses e semideuses. Ao vê-la todos gritam: "Jai Mataji!" ("Vitória para a Grande Mãe!"). Montada em um poderoso felino, Durga vai à luta com suas armas magníficas: o tridente de Shiva, o disco de Vishnu, a flecha flamejante de Agni, o cetro de Kubera, o arco de Vayu, a flecha brilhante de Surya, a lança de ferro de Yama, o machado de Visvakarman, a espada de Brahma, a concha de Varua e o leão, que é o meio de locomoção de Himavat. Quando diante do demônio terrível, Durga sopra sua concha anunciando, com o ruído, que a vitória certamente seria dela. As tropas asúricas de Mahishasura são chamadas para a disputa. Mas Durga materializa, a cada exalação, um exército igualmente poderoso, até que, por fim, invoca Kali, sua forma mais terrível, a Senhora coroada de ossos do reino dos crânios, a devoradora do tempo.

Inicia-se, então, uma guerra sangrenta onde nenhum soldado demoníaco consegue sobreviver. Ao ver seu exército totalmente dizimado, Mahishasura solta um grito de fúria e assume a forma de um búfalo. Começa a galopar em direção à deusa, matando todos os guerreiros que sua chama de dragão alcança. A luta com a Deusa foi tão apavorante que todos que assistiam fecharam os olhos. A deusa prende o búfalo com seu laço, que instantaneamente se transforma num imenso leão. Prontamente a cabeça do leão é cortada, mas este se transforma num elefante, que por sua vez é decapitado. Mahishasura assume novamente sua forma de búfalo, mas é preso à terra pelo pé de Durga, que corta sua cabeça, vencendo a batalha!

É por isso que Durga-Kali é igualmente chamada Mahishasuramardini, ou a matadora de Mahishasura. Quando o demônio morre, seu exército inteiro se esvai no ar. Então, deuses, semideuses (devas, gandharvas, apsaras) e humanos vêm apresentar seus respeitos e agradecimentos, fazendo uma festa de celebração (puja) para ela. O mito da deusa Durga-Kali está narrado num shastra (escrito antigo / tratado) chamado Devimahatmyam.

Depois da pesquisa do mito, comecei a pesquisar representações da Deusa, fotos, imagens... Uma mais linda que a outra! Uma mulher com muitos braços, por vezes em cima de um tigre, às vezes em cima de um leão. Matando um monstro terrível. Segurando uma arma diferente em cada mão. Analisando estas imagens cheguei à conclusão que a Deusa Durga tem uma correlação forte com a carta "A Força" do Tarô, arcano 11.

O arcano 11, nos Tarôs Clássicos, apresenta uma mulher dominando um leão, segurando a sua mandíbula, sem crueldade. A mulher simboliza a intuição, a suavidade, a delicadeza, contém os mistérios da procriação e perpetuação universal. Esta mulher domina, sem esforço visível, com sutileza, um leão (Durga por vezes é representada em cima de um tigre, por vezes em cima de um leão). O leão é o Rei dos animais, representa a supremacia instintiva, poder e virilidade. A Força representa o domínio sobre os instintos. Durga domina os instintos, pois aparece em cima de um felino, por sua vez, domina a força do EGO que atua sobre a nossa vida, representado pelo monstro que ela estraçalha. O arcano 11 sugere o domínio da vida e dos sentimentos, poder de conquista, magnetismo, equilíbrio e estabilização.

Durga vem nos ensinar que para vencermos nosso ego, devemos primeiro dominar nossos instintos. Aprender a controlar as emoções, nos equilibrar, para que nossa essência possa ser totalmente liberta. Este mito traz para nossa vida a demonstração de que orgulho, vaidade, falta de sensibilidade, arrogância e pretensão precisam ser estraçalhadas com perseverança, fúria, determinação... E nunca desistir! Tendo a certeza de que somente sua essência é quem irá ganhar. O processo de destruição do ego é doloroso, sofrido, humilhante. Assemelha-se a um nascimento, um parto. Mas tenho certeza que no final da sua luta o Mundo inteiro sairá vitorioso, como no mito da Deusa Durga.
Boa sorte a todos nós nesta jornada!

Tradução do mantra para Durga:
Durga, Durga, que retira o grande véu da ilusão;
Nós te reverenciamos Durga, nós te reverenciamos e te adoramos.



Texto de Maíra Garcia Mendes de Almeida

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