Mandalas

A palavra mandala é originária do sânscrito e significa círculo. O homem ocidental veio a ter acesso ao nome e ao seu significado intrínseco através das filosofias e religiões orientais.

Antes mesmo de compreender seu significado maior, muito antes do surgimento das religiões e doutrinas, já havia o homem entrado em contato com o mundo simbólico da mandala. Desde o princípio ela se encontra inserida na humanidade - no momento em que o homem começou a organizar-se em grupos, formados à partir de uma figura central a irradiar algum tipo de influência ou autoridade, estava sugerida a mandala, que passou a fazer-se essencialmente presente em suas danças, cerimônias e rituais de iniciação na forma de riscos e sinais feitos no chão ou em pedras.


As mandalas estão por toda a parte. Vemos sua utilização na arte pictórica, na escultura e arquitetura (as construções de vários templos antigos tem como base a disposição a representar os 4 pontos cardeais). O círculo encerra, protege, conforta. Daí, nada mais natural que o inconsciente humano lançar ao exterior sua forma preferida e afim.


Nos rituais mágicos não pode faltar o círculo protetor. Nos rituais de cura e iniciações os participantes arranjam-se em círculos ou são colocados dentro deles. As crianças aprendem a brincar de roda e seus primeiros desenhos são tentativas de imitar um círculo. Essa é a disposição do universo e da natureza, que não criam linhas retas; estas, são um produto puramente humano. Usando um pouco de sensibilidade percebermos que temos no círculo algo de sagrado, de místico e de essência incognoscível.


A mandala é passado, presente e futuro. Dos povos primitivos ao homem contemporâneo, a disposição circular sempre foi largamente utilizada em suas construções e agrupamentos. A modernidade trouxe linhas retas e duras em seus edifícios, no design de automóveis, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e outros objetos. Mas, ao modo do fluxo e refluxo do mar, está retornando às suaves e harmoniosas formas curvas.

Não podemos falar em mandala sem pensar em "imagem". E o que é a imagem senão a representação de um ideal?


No Budismo (mandala) e Hinduísmo (yantra) são usadas como auxiliares na meditação e suas imagens são representações simbólicas de divindades e forças atuantes do Universo; o microcosmo no macrocosmo. O objetivo da meditação é a unificação, sendo que o retorno ao centro representa essa unificação, o encontro com o divino. Meditar é unificar-se, é encontrar-se com a divindade interior e as mandalas são portas de acesso a esse fim.



Texto de Josana Camilo

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